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Tendências versus criatividade.

18/02/2011

Vou publicar! Esse post está sendo editado há pelo menos 3 dias, e para que não fique parecendo uma dissertação de monografia, vou publicá-lo hoje! rs

Só vou incluir algumas citações que exemplificam tudo o q estou querendo dizer.

  •  I hope you enjoy it!

Inspirada por meu amigo Henrique (Designer de Produto), vou escrever um pouco sobre o papel que as tendências tem na Indústria de moda no Brasil.

Esse foi um dos pontos que abordei na minha monografia, apresentada em dezembro de 2010.

No projeto falei sobre tendências e sobre a dificuldade do Brasil se estabelecer como pólo criador porque está sempre em busca do que os outros apontam como rumos para a próxima estação e, dessa forma, nunca consegue se lançar como criador de tendências!

Quando somos estudantes, nos recusamos a criar seguindo tendências, afinal estamos querendo desenvolver cada vez mais nossa criatividade e mostrar nosso diferencial. Porém, quando entramos no mercado de trabalho, vemos que em algumas grandes empresas (e até as nem tão grandes assim), especialmente as que estão preocupadas em vender e não em criar, só fazem seus produtos baseados no que está no mercado ou apontado como hit da próxima estação.

Para citar apenas um exemplo, em muitas empresas, uma cartela de cor  só é aprovada se for baseada em alguma tendência apontada por algum site ou bureaux especializado.

“Em termos culturais somos reféns das tendências internacionais, ficamos a espera dos movimentos que vem de fora. É uma relação de comensalismo, vivemos de restos. Não existe um ateliê ou laboratório criativo para experimentação. É um trabalho medíocre, de reprodução e adaptação. A moda brasileira é uma sombra sem corpo com raras exceções”. (Jun Nakao em entrevista para OROSCO)

Para citar mais um exemplo, baseado em minha experiência, basta observar que por diversas vezes fiz desenhos que foram reprovados, porque nenhum dos considerados concorrentes, haviam apresentado algo parecido. E, também outras por diversas vezes, me vi fazendo algo semelhante, parecido ou tendêncioso com o que os “concorrentes” estavam fazendo por uma solicitação superior. Ficando assim sempre um passo atrás e nunca um, ou até mesmo muitos passos, a frente.

Eu chamo isso de a maldição de querer sempre seguir tendências, e nunca se esforçar para lançá-las. É o mesmo que dizer que nossos designers/ estilistas não são capacitados e que nossos engenheiros têxteis e pesquisadores não tem inteligência para estar a frente. É isso que uma empresa diz, quando não tem coragem de lançar algo no mercado. É preciso incentivar o que Jun Nakao chamou de laboratório criativo para experimentação e o que Ronaldo Fraga disse ser umas das diretrizes de moda, dentro do MINC, incentivar a capacitação e a pesquisa de moda.

Num país, onde, num mesmo dia se vive diferentes climas, onde encontramos diversidade em matérias primas, técnicas artesanais ou locais, diferentes movimentos de comportamentais, vemos designers, estilistas, indo fazer pesquisa de tendências na Europa e América do Norte. É como se fôssemos cegos ao tanto de coisas interessantes que temos a explorar em nosso próprio país. Já disse, em meu TCC e repito: Se continuarmos com os olhos fechados para as riquezas naturais e comportamentais, não incentivando à pesquisa de novas tecnologias, ficaremos sempre a sombra de outros, correndo o risco que outros venham e aproveitem tudo o que não enxergamos antes.

“O que sempre me interessou foi a moda pelo viés cultural de apropriação cultural, transformação cultural, muito mais que as tendências (…) isso transforma muito pouco ou quase nada”. (Ronaldo Fraga, em um vídeo).

No Brasil o design em geral é muito mais independente, mas o design de moda ainda tem muito a amadurecer. Ter colocado moda dentro do guarda chuva do Ministério da Cultura, já vai ser um grande passo, para que tenhamos mais autonomia e incentivo para lançar tendências e não mais seguir.

E para terminar 2 citações importantes para o encontrar a cara de fazer moda no Brasil. 

   “Poucos países tiveram a sorte de ter a mistura que nós tivemos, poucos países tem uma cultura tão estimulante como a nossa, poucos países tem uma cultura tão sofisticada, tão alegre, tão rica quanto a cultura brasileira (…) me sinto muito confortável em beber dessa fonte.” FRAGA, Ronaldo (Faculdade Santa Marcelina, São Paulo), Palestra Moda e comunicação, 2010. Também aqui!

E como dizia o antropólogo, escritor, professor, politico que mais admiro:

 “A coisa mais importante pros brasileiros, preste atenção, o mais importante, é inventar o Brasil que nós queremos.” (Darcy Ribeiro)

  • THE BIGGEST POST EVER!
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5 Comentários leave one →
  1. 18/02/2011 10:10 am

    Bom dia Amandinha, me senti Honrado com o “Inspirada por meu amigo Henrique”…rs

    Concordo quando você cita sobre nossa cultura, tão rica e sofisticada, porém, e ainda temos a convicção de que o melhor está lá fora…

    Vemos muitos brasileiros que exploram as riquezas nacionais, mas tambem, vemos sempre que são exploradas as mesmas coisas como: RIO, “AMAZÔNIA”, SÃO PAULO, INDIOS… ou seja, mais do mesmo… alquem á viu algum produto baseado na cultura do sul? ou baseado nas falésias Cearenses?

    Ainda temos muito o que aprender e mudar…

    • 18/02/2011 10:31 am

      Pois é henrique, isso acontece pq mesmo quando queremos falara de Brasil, estamos falando para “Gringo” ver, não fazemos nunca pensando dentro.. é sempre pra for.. qremos sempre a aprovação de fora e vender o q eles querem ver, acho q ainda temos muito a amadurecer.
      Acho que o Ronaldo Fraga e a Maria Bonita, tem explorado coisas além dos clichês, Ronaldo Fraga já falou de Athos Bulcão (que eu acredito ser desconhecido de muita gente – mas que é representativo para a cultura brasileira) e Maria Bonita ja falou de Lina Bo Bardi, que mesmo não sendo brasileira, trabalhou para mostrar para os proprios brasileiros que é preciso encontrar a cara do Brasil!
      A Lina Bo Bardi, entra no exemplo de quando digo, que se, não abrirmos os olhos paras as riquezas daqui, vai vir gente de fora e vai explorar isso… e ai vamos sóficar observando.

      Para exemplificar isso uso um trecho de um texto da Alessandra Gimenez (Cool Hunting (Caçadores de Tendências) – Mitos, Verdades e Moda Brasileira)
      “Ouvi, em Milão, muito sobre a observação do grupo dos países emergentes (BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China). Para eles, nessas nações, estão surgindo novos movimentos na sociedade, logo, os europeus têm muito interesse, pois nesses lugares as coisas mudam e têm energia. Na Europa a sociedade é mais tradicional, ou seja, está estabelecida e não existe tanta mudança brusca. Segundo os estudos do FCL18, o Brasil é um país a ser observado em termos de sustentabilidade e simplicidade. A criatividade do brasileiro foi ressaltada como ponto forte.”

      vamos abrir os olhos ou eles vão vir se apropriar no q é nosso, afinal.. gringo gosta de rio, samba, bahia e amazonia, mas não é nem um pouco bexxta!

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